
Tem uma carreira ainda curta mas acalenta grandes ambições. A ida para clubes no estrangeiro conferiu-lhe um nível desportivo superior, algo que o deixa com grandes expectativas para um futuro próximo. Com praticamente 27 anos, completará este mês de Agosto, João Monteiro já subiu vários degraus no ranking mundial, algo que lhe dá mais forças para o grande sonho de atingir os primeiros lugares, tanto a nível europeu, como mundial.
|
Entrevista: |
Desporto24 (D24): Como viu a sua presença na 2.ª Gala do Desporto, que se realizou no município de Almeida?
João Monteiro (JM): Fiquei muito contente por estar presente nessa iniciativa. O desporto é bastante importante, especialmente pelo bem-estar físico que proporciona a quem pratica. Aproveitei ainda a ocasião para visitar a minha família.
D24: Como descreveria o seu percurso na modalidade?
JM: Quando tinha 22 anos apareceu a oportunidade de ser profissional de ténis de mesa. A partir dessa altura, tive de deixar a família, os amigos e o país, a fim de me dedicar a 100% a esta modalidade e de caminhar em busca de um sonho. Felizmente os resultados desse empenho estão a aparecer.
D24: O gosto por este desporto surgiu na infância ou é uma paixão recente?
JM: Surgiu por volta dos 9 anos de idade. No entanto, com o passar dos anos esse gosto foi aumentando. Para isso também contribuíram as vitórias que fui alcançando e que tiveram o condão de me motivar cada vez mais. Actualmente procuro trabalhar mais e melhor, no sentido de conseguir um jogador cada vez melhor a nível internacional.
D24: Há quanto tempo compete fora do nosso país?
JM: Há quatro anos rumei para o estrangeiro. Nos dois primeiros estive na Alemanha e nos últimos em Itália. Na temporada que se avizinha voltarei ao território germânico.
D24: Porquê esse regresso à Alemanha?
JM: O campeonato alemão representa a segunda melhor liga a nível mundial, logo a seguir à chinesa. Sei que vai ser duro, mas pela experiência que tenho no passado, sinto-me preparado. Estou a preparar a nova época para estar na melhor forma possível assim que os jogos tiverem início.
D24: Actualmente dedica-se em exclusivo ao ténis de mesa?
JM: Estou no 3º ano de desporto, mas com as constantes deslocações para o estrangeiro não existe a possibilidade para conciliar o curso com os treinos. É muito complicado treinar diariamente 6 a 7 horas e ainda ter tempo para estudar. Este desporto é muito complexo e exigente por isso é preciso uma grande dedicação para conseguir chegar o mais longe possível. Apesar disso, quero concluir o meu curso, assim que terminar a carreira de mesatenista.
“Portugal com pouca abrangência na modalidade”
D24: Em Portugal era possível construir uma carreira como a sua?
JM: Era impossível, por isso mesmo é que fui para o estrangeiro. Cheguei ao ponto em ganhava tudo em Portugal e por isso corria o risco de estagnar se continuasse por cá. Ao invés, o meu objectivo era precisamente progredir pelo que a opção recaiu em fazer carreira no estrangeiro. Neste momento sou o número 16 da Europa e 43 do Mundo. Os resultados da minha opção estão à vista, por isso irei continuar a trabalhar para que apareçam mais e melhores resultados.
Primeiro mesatenista nacional nos Jogos Olímpicos
D24: Até onde pensa poder chegar?
JM: Há pouco tempo atrás, era impensável um jogador português de ténis de mesa ir aos Jogos Olímpicos. Eu fui o primeiro a qualificar-me para o evento. O meu objectivo passa por conquistar medalhas em Campeonatos da Europa e do Mundo. É com esse intuito que trabalho todos os dias.
D24: Qual a sensação de estar presente nos Jogos Olímpicos?
JM: Um grande orgulho, primeiro porque estamos a representar o nosso país e depois porque é o sonho de qualquer atleta marcar presença nessa competição. No meu caso pessoal, ainda me dá mais orgulho por ter sido o primeiro a ser qualificado para representar o país no ténis de mesa. Esse facto só me deu mais motivação para continuar a trabalhar.
“Ser o 2.º ou 3.º melhor Europeu”
D24: O seu objectivo passa por chegar a número 1 do Mundo?
JM: Essa meta é complicada, pois os atletas chineses são os melhores do mundo e têm a melhor escola. No entanto, tenho por ambição chegar ao top 20 do Mundo, o que significaria ser número 2 ou 3 da Europa. Tenho por objectivo de ser um dos melhores mesatenistas Europeus.
“No estrangeiro a modalidade é mais acompanhada”
D24: Quais são as principais diferenças entre competir em Portugal e no estrangeiro?
JM: Por norma, no nosso país cada jogo é acompanhado por 20 a 30 pessoas, ao passo que lá fora é normal estarem 2000 a 3000 pessoas a ver partidas que muitas vezes são também televisionadas. No estrangeiro a modalidade é bem acompanhada pelos Media e isso motiva bastante os atletas.
Fotos: www.joaomonteiro.net



Entrevista



