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António Aguiar - "Sobrevoando o Douro e o Côa"

António Aguiar -

"Escolhe aí um golo perto do Soito para a prova de Moncorvo e envia-me as coordenadas". A encomenda do mestre Vítor deixara-o encantado com a perspectiva duma aterragem na sua terra e, ao mesmo tempo, tão longínqua da Serra de Reboredo, a 90 km. João depressa rumou a Alfaiates, no planalto, perto da barragem. Cedo encontrou um campo livre de vedações e de muros, sem árvores altas nem cabos, uma aterragem segura para qualquer piloto.

Contudo, aqueles campos têm um passado grandioso para os portugueses, neles foram travadas diversas batalhas em diferentes períodos épicos da História de Portugal. A última foi há 200 anos, contra o Marechal Massena, a mando de Napoleão, e por um momento, perpassou a João a desagradável ideia de o golo ser ganho por um francês, ou mesmo um espanhol, num terreno de tal simbolismo para os portugueses.

Há quase um ano que uma nova asa, inexistente em Portugal, continua a ganhar sistematicamente as melhores competições, e essa asa voa já sob o controlo de espanhóis e de franceses. Certo que o nível desportivo dos pilotos portugueses é cada vez mais elevado, mas esse parapente tem ficado quase sempre nos lugares cimeiros e só dentro de um ano ou mais as asas concorrentes terão prestações idênticas.

Seria deslealdade escolher aqueles campos sob o risco de um piloto estrangeiro ganhar a prova ou tocar em primeiro lugar aqueles campos em que tanto lutámos pela soberania?
- Disparate! - concluiu rapidamente: “Os maiores inimigos de Portugal estão cá dentro!”

E, de facto, na prova foram os portugueses, “alegres e valorosos”, como outrora os soldados de Infantaria, a chegar ao golo em primeiro lugar. Foi mais uma competição bem sucedida, com três mangas realizadas entre os dias 22 e 25 de Julho.

No primeiro dia definiu-se uma manga para Ciudad Rodrigo, num total de 77 km. Ganhou o piloto Pedro Moreira, seguido de Cristiano Pereira e de Gil Navalho. No total, seis pilotos no golo, tendo alguns feito a prova em duas horas e meia, outros em mais de quatro horas.

No segundo dia, com condições mais débeis, optou-se por uma manga curta de 50 km, até Almeida, tendo chegado ao golo sete pilotos, liderados por Cristiano, por Suby Lutolf (Santapola, Espanha) e por Rui Nascimento (Vertical /Vale Glaciar do Zêzere).

No terceiro dia, sábado, já com mais pilotos inscritos em Torre de Moncorvo e sob um vento fraco e tórrido de Nordeste, optou-se por uma manga de 89 km até Alfaiates, Sabugal, perto da barragem, nos grandes campos, outrora de batalha, dum tempo conturbado da História de Portugal. Nunca da Serra de Reboredo, nem das outras serras nordestinas, havia sido desenhada e conseguida uma tão longa manga, transpondo a mais de 2000 metros de altitude o leito do Douro e, por três vezes, o do Rio Côa. Mais uma vez chegou ao golo em primeiro o piloto Pedro Moreira, do Clube Vertical / Vale Glaciar do Zêzere, seguido de Nuno Virgílio (Clube Desportivo de Câmara de Lobos) e de Rui Nascimento (Vertical). Um total de dez pilotos no golo, aterrando vários muito perto. Só portugueses na meta, para alívio do piloto João Carvalho, do Soito, que não pode deixar de recriar em Alfaiates os campos de outras pelejas.

Ao piloto Cristiano Pereira, que estava até aí muito bem classificado, não correu bem por ter tido um colapso com a asa a pouca altura, na Serra de Reboredo, vendo-se obrigado a recorrer, rápida e decididamente, ao pára-quedas, manobra que o levou a perder muitos pontos, mas que não passou dum incidente sem consequências.

Na classificação final deste sétimo Open de Parapente do Douro Internacional confirma-se a liderança de Pedro Moreira, seguido de Gil Navalho, do Clube os Montanheiros (Ilha Terceira) e de Cristiano Pereira, do Clube de Montanhismo da Arrábida.

Por clubes ganhou novamente, destacado, o Vertical / Vale Glaciar do Zêzere, seguido da Associação de Voo Livre de Sintra e do Clube AbouaAboua (Braga).

Esta prova, organizada pelo Clube Ares da Minha Serra, de Moncorvo, e dirigida pelo ex-seleccionador Vítor Baía, não contou para o campeonato de Portugal por questões meramente administrativas, embora outras provas, que contaram, terem continuado a ficar aquém do nível desportivo das competições de parapente que há dez anos se desenham a partir da Serra de Reboredo com esta magnânima equipa técnica.

É de salientar o habitual bom acolhimento do Clube Ares da Minha Serra, o clube anfitrião, que, mesmo não tendo conseguido incluir a prova no Campeonato nacional, não deixa de registar a presença de alguns pilotos que nunca deixaram de comparecer, desde que ali se iniciaram as competições de parapente, há dez anos.

As classificações e os “tracklogs” dos voos estão disponíveis no site http://www.aresdaminhaserra.pt/

 

Principais classificados:

Task Date Distance
T1 Manga 1  2010-07-22 13:00 76,5 km Race to Goal with 1 startgate(s)
T2 Manga 2 2010-07-23 15:00 48,3 km Race to Goal with 1 startgate(s)
T3 Manga 3 2010-07-24 14:15 88,9 km Race to Goal with 1 startgate(s)

 

# Id Name Nat Glider Sponsor T 1 T 2 T 3 Total
1 111 Pedro Moreira M PRT Macpara Magus6 Vale Glaciar do Zêzere - CVLV 1000 291 1000 2291
2 454 Gil Navalho M PRT Airwave FR5 www.montanheiros.com 880 746 378 2004
3 44 Cristiano Pereira M PRT Axis Mercury 3  INATEL 949 1000 53 2002
4 48 Alexandre Agostinho M PRT Axis Mercury Vale Glaciar do Zêzere - CVLV 608 713 656 1977
5 13 Paulo Coelho M PRT Advance Omega6 Vale Glaciar do Zêzere - CVLV 415 767 775 1957
6 9 Rui Nascimento M PRT Gin Boomerang GTO Vale Glaciar do Zêzere - CVLV 795 789 1584
7 343 José Carlos de Souza M PRT Advance Omega7 398 334 678 1410
8 3 Suby Lutolf M ESP Axis Mercury 2009 164 929 281 1374
9 53 Nuno Virgílio M PRT Axis Mercury 375 944 1319
10 117 Paulo Nunes M PRT Gin Boomerang GTO APVLS - Sesimbra 794 378 1172

 

 
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